quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Uma História Numa Caixa De Correio


            Numa tarde dois grandes amigos, preparavam-se para uma festa em memória ao fundador daquela vila. Era uma festa anual, que garantia muito divertimento, ouvia-se gargalhadas e copos a estalarem uns nos outros, com muita música à mistura. Eles eram dois jovens, David e Matthew, dois amigos com histórias desde a infância, tinham pouco dinheiro mas tornavam as aventuras em verdadeiros tesouros, cheios de energia e alegria enfrentavam o desconhecido. Trabalhavam numa serralharia perto da vila.
            Ao longe ecoava o som dos foguetes, a festa começou. David e Matthew saíram de casa e percorreram um caminho de terra. Quando lá chegaram sacudiram as botas para tirar algum pó. A noite caía, trocavam gargalhadas entre eles, foram ao encontro de duas amigas e começaram a dançar. A dada altura Mathew avisa a amiga que ia só buscar duas bebidas. Com isto afastou-se do grupo e foi em direcção à barraca das cervejas, pediu duas. Ao pegar nas canecas olhou para o lado, estava uma rapariga sentada, ficou inerte, deixou-se envolver pela timidez, não sabia o que fazer. Ela parecia estar à espera de alguém… Após alguns segundos levantou-se e foi embora. Matthew perdeu-a de vista. Foi ter com os amigos, entregou uma das canecas à amiga e chamou o David à parte, vagarosamente sussurrou:
            - Vem comigo, preciso que me digas se conheces uma rapariga!
            - Quem? - Questionou o David
            - Não sei, nunca a vi na vida. - Respondeu apressadamente Matthew.
            Percorreram o recinto durante algum tempo até que o Matthew a reconheceu. Discretamente, ele ergueu o dedo e apontou numa direcção e David seguiu-o. Demorou alguns segundos a reconhecê-la.
            - Ela chama-se Kathleen, pelo que sei tem uma relação com o filho do nosso Patrão. Esquece-a, a não ser que queiras perder o emprego - esclareceu David.
            A festa continuou, mas Matthew apenas tinha na cabeça a Kathleen, queria conhece-la. Assim que chegou a casa, deitou-se, desejou uma boa noite a David e encostou a cara, mergulhou num sonho.
            No dia seguinte, Matthew acordou com uma angústia dentro dele. Tinha curiosidade em saber quem ela era. Desabafou com o David e nessa mesma manhã conseguiram descobrir uma forma de comunicar com ela.
            Entusiasmados foram para a serralharia, trabalharam durante toda a manhã. Soou uma espécie de campainha, estava na hora de almoçar. Durante esse período a fábrica ficava vazia. David e Matthew puseram o plano em prática e dirigiram-se à sala onde o Patrão, passava grande parte do tempo. Procuravam qualquer coisa referente à Kathleen. A dado momento, David pegou num envelope escrito por ela. Tinha a morada por baixo. Eles ouvem uns ruídos, sem se aperceberem alguém entrou na serralharia. Ficaram assustados, Matthew apontou a morada num papel e saíram a correr por uma das portas traseiras, foram almoçar e depois de ouvirem a campainha de novo retomaram o trabalho.
            Já em casa, Matthew debruçou-se sobre uma folha de papel e começou por escrever um pouco sobre si, o que gostava de fazer e como encarava tudo à volta. Escreveu também sobre aquela noite em que a viu e a súbita curiosidade em a conhecer. Leu e releu aquela carta diversas vezes. Na manhã seguinte, acordou cedo e colocou-a nos correios.
            Conforme os dias passavam, diversas cartas foram trocadas entre Matthew e Kathleen , uma relação surgia sobre as palavras, ideias e personalidades que cada um transmitia ao outro. David começou a pensar que existia um fogo entre aqueles dois. O que era certo é que Matthew cada vez gostava mais de ‘falar’ com Kathleen e um dia propôs estar num certo local a uma determinada hora.
            Quando esse dia chegou, Matthew encontrava-se no local um pouco antes da hora prevista. O tempo passava, ficava cada vez mais nervoso. Kathleen apareceu. Ficaram a olhar um para o outro e sem dizerem nada, Matthew estendeu-lhe a mão. Ela mostrou-se serena, olhou para a mão e de seguida fixou de novo os olhos nele, por fim agarrou a mão dele com força. Sem saber o que fazer ou o que pensar, admirava Matthew de perto. Um novo sentimento começou a surgir dentro dela e foi isso que a fez prosseguir, por um caminho com destino ao desconhecido. Caminharam durante algum tempo, até que soou uma voz:
            - Chegamos! - avisou Matthew
            Ela afastou-se um pouco, ficou emocionada, cada vez mais compreendia as palavras de Matthew, faziam todo o sentido, sentir a liberdade e o amor através de pequenos gestos. Ao longe conseguia ver a pequena aldeia. ficou a contemplar aquela vista durante largos minutos. Quando voltou a si, olhou para trás e encontrou Matthew deitado numa pedra.
            - Obrigado, é muito bonito - disse-lhe Kathleen
            - Espera até veres o pôr de sol..
            Passaram o resto da tarde a trocar impressões, histórias, e sorrisos. Kathleen sentia-se bem, no entanto, um enorme sentimento de mágoa apoderou-se dela.
            - Matthew, eu não devia estar aqui contigo!
            - Porquê? - questionou ansioso
            - O Peter! Eu gosto dele, afinal sou a namorada dele.
            - No entanto sentes falta de viver, porque caso contrário não estarias aqui!
            Kathleen ficou a pensar e continuou:
            - Peter é um óptimo rapaz, eu não o mereço por isto - soltou uma lágrima - Desculpa, mas eu tenho de ir embora …
            - Kathleen, espera! - pediu Matthew - como imaginas a tua vida no próximo verão, para o ano, daqui a 20 anos?
            Ela olhou mais uma vez para ele, não quis responder e saiu dali a correr. Matthew deixou-se cair na pedra. A ideia de ela ter partido não lhe saía da cabeça. Uma questão começou por intrigá-lo: ‘Deverá uma pessoa como Kathleen privar-se da verdadeira felicidade por causa de alguém?’ …
            Magoado voltou para casa, sentia que a Kathleen tinha escolhido o caminho mais fácil. A vida continuou e todos os dias de manhã, Matthew passava os olhos pela pequena caixa de correio, na qual tudo começou.
            Um dia Kathleen voltou …


Fim

10 comentários:

Anónimo disse...

A Vida Secreta das Palavras
de Isabel Coixet

é um filme...

Luís Pais disse...

E é um filme interessante?

Anónimo disse...

Embora não saiba o que te interessa, porque o nomearia se não fosse?

Luís Pais disse...

Se não me conheces. Porque é que haverias de te dar ao trabalho de me nomear o que quer que seja? É simples..

Anónimo disse...

O que hoje nos interessa, amanhã pode já não nos interessar, por vezes isso altera-se por diversos motivos. Temos uma noção desses interesses, mas não uma certeza. Se eu me dou ou não ao trabalho isso é uma preocupação minha. Tu só te limitas a ler, se quiser ver, vês, senão, não vejas. É apenas e só uma referência. Tu podes fazer dela algo mais, ou não. É simples.

Luís Pais disse...

Certo. Eu já vi o trailer e sinceramente acho que vou gostar, momentaneamente fez-me lembrar o Escafandro e a Borboleta. Obrigado pela sugestão.

Anónimo disse...

Por vezes há trailer que são tudo menos fascinantes, e por de trás deles encontram-se grandes filmes. Não é um filme evidente, onde percebes logo tudo, porém há uma série de sons, palavras e imagens que tocam, e isso sabe bem. De nada.

Maria Francisca disse...

Tens razão, anónimo. Um óptimo exemplo disso é o "le scaphandre et le papillon", em que o trailer é tristemente ridículo se for comparado com o filme.
Luís, depois diz-me o que achaste!

Maria Francisca disse...

Porque o anónimo disse uma coisa com a qual eu concordo e visto que eu não podia dizer de outra forma, parece-me normal comentar a partir daqui.
Gostei do filme, não gostei do trailer. Gostei do trailer, não gostei do filme.
Acho o trailer e o filme engraçados, mas incompatíveis. De qualquer forma, tirando o trailer, é um filme brilhante.

Luís Pais disse...

Interessante o "A vida secreta das palavras" !