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terça-feira, 1 de março de 2011

Deserto

Vagueio pelo deserto proibido
De olhos vendados e coração aberto
Sob um manto inerte a tudo o que sinto
Anseio pelo inicio,
Que os ponteiros do relógio
Se cruzem e desinibidamente
Voltem aos tempos de criança,
Quando o arco-íris era uma caça ao tesouro
E não existia quaisquer segundas intenções
Por trás de um sorriso, de um olhar, de um capricho.
Largas horas passam e na verdade
O mundo cada vez mais escurece,
O gesto dito por um programa,
Remete à insegurança de um mundo já não dividido,
Mas sim, acabado.
Horas vagas a deambular no baloiço,
A tocar no tecto do céu
Que por muito que custe acreditar
É o peso do teu embalar.
Olho para o horizonte
E denoto um vasto beco
Um corredor longo com saída para o inicio.
Talvez o melhor seja parar,
Zarpar no inconsciente e sacrificar esta minha corrente.
A barba imunda de tanto esperar
De correr o mundo e ver a criança a chorar.
Agora é tarde e estou velho,
Mas ainda sinto por este deserto
As cinzas das crenças estipuladas pelo tempo.



Que tonto que eu sou
Neste café permaneço inerte,
A uma verdade ou a uma consequência.
  E apenas de concreto sei:
Que jamais pararei.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Oxelfer II



"six feet below, a world flooded free
how should i know, so far from me 
I could try for more, i could settle up for less
i'm not keeping score, I don't expect you to confess"

Na inutilidade deste acto, 
Aguardo impacientemente por algo diferente.
Já nem amargura sinto, nada sinto.

"As palavras ecoavam-lhe nos confins de uma neblina que outrora julgava ela ser a consciência. Fechou os olhos e aos poucos e poucos apoiava-se a cada palavra desta natureza ardente, criando uma sensação de total liberdade, um arrepio despertou o sonho e com apenas um suspiro murmurou ao sono para percorrer o labirinto e fechar cada uma das pequenas portas dos corredores. Num impasse instantâneo, esta adormeceu."

Adormeces nesse piso
e 1001 balões elevam-te
num sonho descontínuo.
E mesmo aí, ninguém te vê.

Invisível tu és!
Invisível, tu queres ser..

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Oxelfer

Tu!
Que tão pouco me contas
E foges por entre esse sorriso
Irónico e caprichoso.
Não duvides
Daquilo que não vês,
Pois apenas há luz,
E um vulto,
A crer (des)aparecer.
É sozinho na escuridão
Que me encontro a mim próprio,
Embora seja verdadeiro este embarque
Desta minha suposta, Aparição.

É neste impasse instantâneo
Que me apetece abrir os portões
Acorrentados pelo reflexo
Daquele que foi um dia...


Saiam palavras! Tudo perdi.
Talvez amanhã encontre.


Não sem este, eu, teu reflexo.
De que tens medo?
Afinal é aos outros que fazes feliz.
E eu, teu reflexo?
Aquele a quem deixas -te fugir.


Mostra-te!
(des)Apaixona-te!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Aquário Opaco

Mais que a tua timidez,
Esse olhar furtivo repleto de orgulho
Afunda-me neste mar,
Onde encontro um conforto
Que me faz libertar
Uma...duas bolhas de ar
E assim,
Me perder nos confins deste aquário.
Questionam as horas em coro
E eu também.
Queres que pare?
Devo parar?
Sou cego e mudo,
Mas sinto a diferença
Do Escafandro ao mundo,
Da borboleta à simplicidade do amar
E, mesmo assim, só me sentirás,
Quando estas te deixarem de visitar.
Três...sete...
Bolhas de ar
.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Tenho tantas perguntas,
questões sem por mim conseguir resolver.
Faço de mim um cobarde,
Sem vontade de viver.
Afinal o que poderei escolher?
Quando nem os fios de marioneta me fazem mover.
Fecho os olhos,
Tudo sinto
E nada é meu.

sábado, 22 de janeiro de 2011

This Place Is A Prison


De um todo a nenhum, a insustentável realidade,
Desfolhou-se pelas ruas ...
E as tuas palavras deixaram à muito de ser os fios de uma marioneta.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Where is my mind?


Para onde devo olhar?
Não sei em que direcção
Poderei divagar.
Vivo em que dimensão?
Incoerente mar por reclamar,
Apenas sei que tenho os pés no chão
E piso um mundo de pernas para o ar.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Livros

Quero tanto sair ás ruas deste Natal.. Porque não? 
Provavelmente porque,
O tempo que me acorrenta 
A uma cadeira rodeada de livros 
Deixa uma janela aberta
Para o ar poder circular
Mas o que não vê, 
Não o deixa de ser 
E a minha mente por si 
Contínua a divagar. 
Triste eu sou! 
Ao ver o tempo a brincar..
Porque da mente do outro 
Se escrevem palavras para não acordar,
E enfim...
Um medo não deixar concretizar.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Interior

Provavelmente onde mais que o teu corpo, a tua mente encontra a paz. Na revolta imunda da própria revolta, já se faz tarde para olhar para trás e vendar ao mundo a pessoa que tu sempre serás. Porque no teu 'eu' existe magia de acreditar em algo e fazer com que acreditemos nisso mesmo. Seguimos o nosso coração e a cada balada surge uma nova inspiração. És tu, sou eu e este animal chamado imaginação

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Piece of Sunset


Nadar contra as correntes do desespero,
Apenas demonstra do que és feito,
Em que acreditas.
O que é suposto fazer a seguir?
Continuar...


Luís Pais

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Natural Disaster


Deitado na imensidão dos pensamentos,
Imploro a virtude do teu ser,
Sob esta melodia eu acredito,
Sonho e acabo por adormecer.

Luís Pais

sábado, 12 de dezembro de 2009

Segmento Abrigado

Numa maré de incertezas, 
Repleta de confusões turbulentas, 
Decotas a pessoa que és.
Amedrontada do tempo
Dito pelo teu coração,
Corres vales de perdição.
As tuas pegadas e proezas
Apenas demonstram
Que tu és o pão
E eles os pássaros
Que se alimentam
De cada pedaço do teu corpo.
Incompreensivelmente,
Julgas que o teu espírito permanece intacto,
Acreditando que neste segmento tu sorris.
No entanto, abres os olhos
e reparas que não existe uma essência.
Injustiça ou Consequência?
Isso és tu que decides.
E sem te aperceberes,
essa tua masmorra começa por atulhar.
E um novo segmento
Sente-se forçado a despertar.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Acreditar



O amor não é algo que se possui, mas sim que se demonstra a cada mil e um segundos de todo um momento, sob um significado à vista de um sorriso. Ser compreendido e encontrado está na magia da outra pessoa. Ela existe e é bem real, no entanto só precisa de sentir esse sorriso e a importância com que cavalgas desvairadamente pelo chão do pátio dela.

Gravidade Natural

Amo-te minha cidade,
Dona desta aventura,
Nua e vagabunda,
Aprontas a minha maneira de viver.
Eterna criança luminosa,
Receosa de todo um pesadelo,
Obscuro e teatral.
Partilha o teu lençol,
No qual te resguardas a cada desligar
De uma luz, de uma verdade.
Não voltes a ocultar esse teu lindo rosto,
Pois ninguém tem o direito de ficar contigo
Sob um manto de compromisso,
Em que rejeita toda a tua liberdade,
Espontaneidade natural de sorrir
E injustamente de viver.
Apelo por ti sozinho,
Enquanto vagueio pelas tuas ruas
E inocentemente abro as mãos
De um coração transparente,
E atribuo unicamente um sentido.
Entre as brumas de um sabor apaixonante,
Partilho cada sensação,
Aspirante de uma resposta,
De um sentimento mútuo.
Desgastada pelo tempo,
Encontras-te agora silenciosa,
Mas eu sinto o teu cheiro,
E desfruto de cada momento,
Desde uma ligeira tempestade
A um bafo do teu coração.
Sento-me no teu joelho
E por fim suspiro:
Não és minha,
Nem nunca serás,
Nem quero que sejas,
Pois na verdade,
Só assim me encontrarás.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Fantasma Trajado

Ao longo do caminho
Que cada um tem de percorrer,
Atitudes, escolhas, razões
E crenças teremos que recorrer.
Involuntariamente ou propositadamente,
As consequências agendadas para cada segundo
Começarão por aparecer.  
Não ignores este fantasma 
E fecha os olhos aos invisíveis, 
Sente cada buraco 
E enfrenta esta realidade, 
Sem pavor de uma verdade,
Não te descalces da tua vida,
Da tua razão de existir.
E se algum dia...
Te envolveres com a imaginação,
Sob um catalisador ambulante,
E de todo discrepante,
Será tarde demais
Para poderes fugir.
Perceberás que quanto mais galhofas
Com a imaginação,
Mais te decepcionarás
Com a realidade do teu coração.
Hoje sorris…

"Quando aprenderes a aceitar em vez de imaginar, terás menos decepções." Robert Fisher

Verdade



Aparentemente parece complicado, mas é simples. Não existe uma verdade universal. Tu acreditas numa verdade, e isso é o correcto para ti, no entanto mesmo que as outras pessoas não acreditem nessa verdade, isso não te tira o direito de viveres aqui. O que importa é saber conciliar cada aspecto e os detalhes de todos nós. Aceitar é só uma parte, a outra trata-se da importância que se deverá dar. E isto não implica que terás de mudar.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Autónomo de um Adeus

Ainda o sol se está a pôr e já tu,
Branca, preparas-te para adormecer,
Repousar de um dia repleto de trabalho
E viver as horas vagas de um compromisso,
Que tu e somente tu,
Crias-te enquanto dizias sim.
Sem compaixão e impulsividade,
Fechas os olhos
E o teu corpo perde o tacto à realidade,
A esta vida.
Eu tento fechar os olhos da mesma forma,
Acreditar que isto é o mais correcto,
Mas dentro de mim,
Apenas imerge uma criança.
Espírito de um impulsivo explorador,
De uma alegria ingénua,
Calço as pantufas digeridas pelo tempo,
E as riscas do pijama,
Caiem nuas no cimento.
O teu rosto não esboça qualquer emoção,
As tuas mãos macias,
Autênticos livros por escrever,
Provavelmente nem a ti,
Os sonhos chegarão.
Lamento profundamente.
Passo a passo, saio porta fora,
De sorriso no coração,
Pois esta noite brinco
E morro na palma da tua mão.

Aparentemente Inevitável


Onde quer que estejas, um rosto constante olhará por ti



E não importa o quanto te cegam,

Pois sob uma memória poderás sentir


A ligeira frescura de toda uma simplicidade,
que se cruza no dia-a-dia.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Palavra



Ao longo de um soalho coberto por uma nota...
O consciente profere:
O que sentes hoje não será o mesmo de amanhã,
Por isso, nunca digas para "sempre",
E não serás um peregrino perdido no tempo.

A precisão requer perfeição

O ligeiro toque da ponta da caneta
Ao longo do papel.
Emparelhando cada segmento
Daquele que pode ser a tua vida
Sentamo-nos numa árvore
Sentimos o seu bater, cheiro e suavidade
Correntes atravessam a sua razão de ser
Sem se aperceber do que está a fazer.
Trinta caminhos de plena harmonia
O asfalto, esse, o mais macio e brilhante
Engana cada um consoante a sua mania.
Olha á volta. É isso que queres?
Pega nesta folha e esboça o amor,
De que tanto me falas
Daquele que nunca percebi
Pois as tuas palavras são uma criança.
Qual professor? Qual criador?
Nós sentimos e pressentimos
Sem qualquer razão de ser.
A verdade ninguém a conhece.
Cada um tem a sua verdade,
A razão. Ama-la?
Ela conhece a tua imaginação!