Numa tarde dois grandes amigos, preparavam-se para uma festa em memória ao fundador daquela vila. Era uma festa anual, que garantia muito divertimento, ouvia-se gargalhadas e copos a estalarem uns nos outros, com muita música à mistura. Eles eram dois jovens, David e Matthew, dois amigos com histórias desde a infância, tinham pouco dinheiro mas tornavam as aventuras em verdadeiros tesouros, cheios de energia e alegria enfrentavam o desconhecido. Trabalhavam numa serralharia perto da vila. Ao longe ecoava o som dos foguetes, a festa começou. David e Matthew saíram de casa e percorreram um caminho de terra. Quando lá chegaram sacudiram as botas para tirar algum pó. A noite caía, trocavam gargalhadas entre eles, foram ao encontro de duas amigas e começaram a dançar. A dada altura Mathew avisa a amiga que ia só buscar duas bebidas. Com isto afastou-se do grupo e foi em direcção à barraca das cervejas, pediu duas. Ao pegar nas canecas olhou para o lado, estava uma rapariga sentada, ficou inerte, deixou-se envolver pela timidez, não sabia o que fazer. Ela parecia estar à espera de alguém… Após alguns segundos levantou-se e foi embora. Matthew perdeu-a de vista. Foi ter com os amigos, entregou uma das canecas à amiga e chamou o David à parte, vagarosamente sussurrou:
- Vem comigo, preciso que me digas se conheces uma rapariga!
- Quem? - Questionou o David
- Não sei, nunca a vi na vida. - Respondeu apressadamente Matthew.
Percorreram o recinto durante algum tempo até que o Matthew a reconheceu. Discretamente, ele ergueu o dedo e apontou numa direcção e David seguiu-o. Demorou alguns segundos a reconhecê-la.
- Ela chama-se Kathleen, pelo que sei tem uma relação com o filho do nosso Patrão. Esquece-a, a não ser que queiras perder o emprego - esclareceu David.
A festa continuou, mas Matthew apenas tinha na cabeça a Kathleen, queria conhece-la. Assim que chegou a casa, deitou-se, desejou uma boa noite a David e encostou a cara, mergulhou num sonho.
No dia seguinte, Matthew acordou com uma angústia dentro dele. Tinha curiosidade em saber quem ela era. Desabafou com o David e nessa mesma manhã conseguiram descobrir uma forma de comunicar com ela.
Entusiasmados foram para a serralharia, trabalharam durante toda a manhã. Soou uma espécie de campainha, estava na hora de almoçar. Durante esse período a fábrica ficava vazia. David e Matthew puseram o plano em prática e dirigiram-se à sala onde o Patrão, passava grande parte do tempo. Procuravam qualquer coisa referente à Kathleen. A dado momento, David pegou num envelope escrito por ela. Tinha a morada por baixo. Eles ouvem uns ruídos, sem se aperceberem alguém entrou na serralharia. Ficaram assustados, Matthew apontou a morada num papel e saíram a correr por uma das portas traseiras, foram almoçar e depois de ouvirem a campainha de novo retomaram o trabalho.
Já em casa, Matthew debruçou-se sobre uma folha de papel e começou por escrever um pouco sobre si, o que gostava de fazer e como encarava tudo à volta. Escreveu também sobre aquela noite em que a viu e a súbita curiosidade em a conhecer. Leu e releu aquela carta diversas vezes. Na manhã seguinte, acordou cedo e colocou-a nos correios.
Conforme os dias passavam, diversas cartas foram trocadas entre Matthew e Kathleen , uma relação surgia sobre as palavras, ideias e personalidades que cada um transmitia ao outro. David começou a pensar que existia um fogo entre aqueles dois. O que era certo é que Matthew cada vez gostava mais de ‘falar’ com Kathleen e um dia propôs estar num certo local a uma determinada hora.
Quando esse dia chegou, Matthew encontrava-se no local um pouco antes da hora prevista. O tempo passava, ficava cada vez mais nervoso. Kathleen apareceu. Ficaram a olhar um para o outro e sem dizerem nada, Matthew estendeu-lhe a mão. Ela mostrou-se serena, olhou para a mão e de seguida fixou de novo os olhos nele, por fim agarrou a mão dele com força. Sem saber o que fazer ou o que pensar, admirava Matthew de perto. Um novo sentimento começou a surgir dentro dela e foi isso que a fez prosseguir, por um caminho com destino ao desconhecido. Caminharam durante algum tempo, até que soou uma voz:
- Chegamos! - avisou Matthew
Ela afastou-se um pouco, ficou emocionada, cada vez mais compreendia as palavras de Matthew, faziam todo o sentido, sentir a liberdade e o amor através de pequenos gestos. Ao longe conseguia ver a pequena aldeia. ficou a contemplar aquela vista durante largos minutos. Quando voltou a si, olhou para trás e encontrou Matthew deitado numa pedra.
- Obrigado, é muito bonito - disse-lhe Kathleen
- Espera até veres o pôr de sol..
Passaram o resto da tarde a trocar impressões, histórias, e sorrisos. Kathleen sentia-se bem, no entanto, um enorme sentimento de mágoa apoderou-se dela.
- Matthew, eu não devia estar aqui contigo!
- Porquê? - questionou ansioso
- O Peter! Eu gosto dele, afinal sou a namorada dele.
- No entanto sentes falta de viver, porque caso contrário não estarias aqui!
Kathleen ficou a pensar e continuou:
- Peter é um óptimo rapaz, eu não o mereço por isto - soltou uma lágrima - Desculpa, mas eu tenho de ir embora …
- Kathleen, espera! - pediu Matthew - como imaginas a tua vida no próximo verão, para o ano, daqui a 20 anos?
Ela olhou mais uma vez para ele, não quis responder e saiu dali a correr. Matthew deixou-se cair na pedra. A ideia de ela ter partido não lhe saía da cabeça. Uma questão começou por intrigá-lo: ‘Deverá uma pessoa como Kathleen privar-se da verdadeira felicidade por causa de alguém?’ …
Magoado voltou para casa, sentia que a Kathleen tinha escolhido o caminho mais fácil. A vida continuou e todos os dias de manhã, Matthew passava os olhos pela pequena caixa de correio, na qual tudo começou.
Um dia Kathleen voltou …
Fim